Carro no aplicativo: lucro certo ou uma armadilha escondida?

Investir num carro para transporte por aplicativo tornou-se uma das formas mais procuradas de gerar rendimento extra em Angola. A ideia parece simples: compras o carro, colocas um motorista a trabalhar em plataformas e recebes um valor mensal. Mas na prática, este investimento está longe de ser automático ou garantido.

Entre as principais vantagens está a possibilidade de criar uma fonte de rendimento recorrente. O carro passa de bem de consumo para activo produtivo. Além disso, não dependes do teu tempo, podendo manter o teu emprego principal enquanto o veículo trabalha. Se o modelo for bem estruturado, pode até permitir expansão para dois ou três carros, transformando-se num pequeno negócio, há quem já chegou a mais de 10 carros em aplicativos.

Contudo, as desvantagens começam a pesar quando analisamos os números reais. As plataformas cobram comissões que variam, em média, entre 15% e 20% ou seja, antes mesmo de pagares combustível ou motorista, uma parte da facturação já ficou com o aplicativo.

Depois surgem os custos operacionais: combustível diário, salário do motorista, manutenção constante, seguro, documentação e fundo para imprevistos. Um carro que trabalha 10 a 13 horas por dia sofre desgaste acelerado. Pneus, travões, óleo e peças precisam de substituição frequente. Se o motor ou a caixa apresentarem problemas, a despesa pode atingir milhões de kwanzas de uma só vez.

Outro ponto crítico, e uma das maiores reclamações dos proprietários é o risco humano. Trabalhar com motorista pode trazer desafios como uso indevido do carro, desvio de combustível, realização de corridas fora do aplicativo, má condução que gera multas ou acidentes e até desaparecimento com o veículo, situações que já foram registadas no mercado. Sem contrato claro, controlo rigoroso e confiança, este risco pode comprometer completamente o investimento.

O maior perigo, no entanto, é a ilusão de lucro. Muitos investidores olham apenas para a facturação bruta diária e esquecem-se dos custos escondidos. Quando as contas são feitas com rigor, a margem pode ser muito reduzida e em alguns meses até negativa.

Há ainda o risco de acidente, alterações legais no sector e, sobretudo, o perigo de comprar o carro a crédito elevado. Uma prestação alta combinada com um mês fraco pode comprometer totalmente o investimento.

A conclusão é clara: investir em carro para aplicativo não é rendimento passivo. É um pequeno negócio com margem curta e risco operacional elevado. Só faz sentido para quem tem o carro pago, reserva financeira para imprevistos e controlo rigoroso das receitas e despesas.

Sem isso, o que parecia uma oportunidade pode transformar-se numa fonte constante de preocupação. E tu o que achas disso? Já investiste num carro para apicativo?

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