Artigo atualizado em julho de 2026
O mercado angolano já viveu vários IPOs nos últimos anos e, agora, está novamente num momento importante com a entrada da Unitel em bolsa, até ao dia 24 de Julho. Cada nova operação traz mais investidores para o mercado, mais visibilidade e mais dinheiro a circular na BODIVA.
Mas há uma questão que continua a ser central, e que raramente é discutida na prática: o comportamento do investidor. Em Angola, ainda vemos um mercado muito movido pela euforia do momento, pelo “toda gente está a comprar” e pelo medo de ficar de fora, em vez de uma análise fria, estratégica e de longo prazo. E é exatamente aqui que muitos perdem dinheiro, não na compra… mas na falta de estratégia depois de comprar.
No ano passado, o mercado financeiro angolano viveu momentos de euforia devido ao IPO do BFA que ultrapassou todas as expectativas. Após a entrada no mercado, as acções do BFA dispararam mais de 100% desde a sua estreia, e as do BAI continuam a valorizar de forma impressionante. As redes sociais encheram-se de comparações e tabelas com lucros milionários, mas é importante lembrar que flutuações são normais e esperadas nos mercados, reflexo das expectativas dos investidores, do ambiente económico e do desempenho das empresas.
O mercado de acções é como um electrocardiograma, cheio de altos e baixos, com picos que podem emocionar ou assustar. A questão essencial é: Qual é a sua estratégia com as acções que comprou?
Alguns preferem o “Trading” (Transacionar), uma abordagem de curto prazo, em que o objetivo é comprar e vender rapidamente para aproveitar movimentos de valorização. Por exemplo: quem comprou 10 acções do BFA a 495 mil kwanzas conseguiu vender nas semanas seguintes com uma valorização acima de 100%. É uma estratégia agressiva, que exige tempo, informação e nervos de aço. O risco é alto, mas o potencial de retorno também.
Outros preferem o Buy and Hold, (Comprar e manter), o caminho escolhido por quem acredita no crescimento da empresa a longo prazo e quer beneficiar tanto da valorização futura das acções quanto dos dividendos (parte dos lucros distribuída aos acionistas). Quando vai manter as acções tem duas opções a seguir:
- Value investing, (Investimento para valorização), em que se busca investir em empresas sólidas, com potencial de crescimento e valorização sustentada. Ex: Quem no passado comprou as acções do Facebook e mantém até agora com altas subidas na sua valorização:
- Dividend investing, (Investimento para dividendos) voltado para quem prefere estabilidade e rendimento periódico, mesmo que a empresa já não esteja em fase de grande expansão.
Existem outras estratégias intermédias, alguns investidores aplicam o chamado dollar-cost averaging (custo médio), investindo pequenas quantias regularmente para reduzir o impacto das oscilações de preço. Outros usam uma abordagem híbrida, vendendo parte das acções quando há valorização significativa e mantendo o restante para o longo prazo.
O importante é ter clareza sobre o seu perfil e objetivo financeiro. Está a investir para o curto prazo ou para construir património ao longo do tempo? O erro mais comum é deixar-se levar pela euforia e acabar a comprar caro ou vender cedo demais. O erro não está na compra. Está em investir porque toda a gente está a comprar e só depois começar a pensar no que fazer com as ações.
No final, o mercado recompensa quem pensa com estratégia. Não é sobre adivinhar o próximo pico, mas sobre entender por que investe e o que pretende alcançar!