Uma experiência no Malawi está a levantar uma pergunta importante para os países que procuram combater a pobreza: e se, em vez de decidir pelas famílias, simplesmente lhes fosse entregue dinheiro para escolherem o que fazer?
O programa, conduzido pela organização GiveDirectly, prevê transferências de cerca de 700 dólares para até 230 mil adultos em dois distritos do país. O dinheiro é entregue sem determinar previamente como deve ser gasto.
Em algumas comunidades, os efeitos já são visíveis. Há pessoas a comprar máquinas de costura, instalar electricidade, melhorar casas, abastecer lojas e criar pequenos negócios. Um jovem chegou a transformar uma sala num pequeno cinema, cobrando aos clientes pelo acesso.
A lógica é simples: quando uma família recebe capital, não precisa necessariamente de o consumir todo. Pode transformá-lo num activo, num negócio ou numa oportunidade de rendimento.
Segundo investigação citada pela Bloomberg, cada dólar distribuído poderá gerar cerca de 2,50 dólares de actividade económica nos 30 meses seguintes, enquanto o aumento dos preços tem sido relativamente pequeno.
Para Angola, a experiência deixa uma questão relevante: será que dar às famílias mais capacidade financeira poderia também estimular pequenos negócios e economias locais?