A preferência dos consumidores angolanos está a redesenhar o mercado automóvel. Actualmente, cerca de 80% dos carros importados para Angola têm origem em países asiáticos, sendo que a China sozinha representa 23% do total das viaturas importadas.
A razão é sobretudo económica. Num contexto de pressão sobre o rendimento das famílias, o preço tornou-se um factor decisivo. Os veículos provenientes da China, que lidera as importações e de outros mercados asiáticos apresentam valores de aquisição mais baixos quando comparados com alternativas europeias ou americanas.
Para muitos angolanos, isso significa a possibilidade real de adquirir o primeiro carro ou substituir uma viatura antiga.
Mais do que a marca, pesa a relação custo-benefício. Consumidores procuram modelos económicos, com menor consumo de combustível e prestações mais acessíveis. Ainda assim, especialistas alertam que o preço inicial mais baixo pode ser compensado por custos de manutenção ou eventual dificuldade na obtenção de peças.
O fenómeno revela uma mudança clara no comportamento do consumidor: pragmatismo acima do prestígio. Num mercado onde cada kwanza conta, a escolha recai sobre o que oferece mais utilidade pelo menor preço.