Apenas 23,4% das mulheres angolanas possui uma conta bancária

A desigualdade económica em Angola também aparece na forma como as mulheres conseguem ganhar, guardar e gerir dinheiro. Dados do Relatório sobre o Género em Angola, baseado no IIMS 2023-2024 do INE, mostram que apenas 23,4% das mulheres têm conta bancária.

O cenário é ainda mais complexo fora dos grandes centros urbanos. Cerca de um terço das mulheres angolanas são analfabetas e 73% das mulheres sem escolaridade vivem em áreas rurais. No mercado de trabalho, 48,7% das mulheres estão empregadas, contra 59,1% dos homens.

Para a mulher comum, estes números podem significar mais do que uma diferença estatística. Ter menos acesso ao emprego, à banca e à educação pode dificultar a criação de poupança, o acesso a crédito e a capacidade de tomar decisões financeiras dentro de casa.

A situação é particularmente relevante para famílias que dependem de rendimentos informais e estão mais expostas a aumentos de preços, períodos de seca, cheias ou outras dificuldades económicas.

Por isso, falar de autonomia financeira das mulheres não é apenas falar de bancos. É também falar de rendimento, educação financeira, emprego, empreendedorismo e capacidade de tomar decisões sobre o dinheiro.

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