A economia informal em Angola movimenta cerca de 45 mil milhões de dólares e é apontada como o maior empregador do país. A estimativa consta da segunda edição da obra Economia Informal em Angola, da autoria de Francisco Queiroz, antigo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos.
A nova edição foi revista e ampliada com dados estatísticos sobre a dimensão e o impacto deste segmento na economia nacional. Publicada pela Mayamba Editora, apresenta uma estrutura diferente da primeira versão, lançada em Portugal, em 2016, pela editora Almedina, e apresentada em Angola no ano seguinte.
Entre as principais novidades está a introdução de um capítulo dedicado aos dados estatísticos, além do aprofundamento da análise das causas, da abrangência e dos impactos da economia informal. A obra aborda também a relação deste sector com indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego, a inflação e a taxa de câmbio.
Segundo o autor, em entrevista para a revista Mercado, os novos dados confirmam o peso da economia informal no mercado de trabalho angolano, tornando-a o maior empregador do país.
Vendedores dos mercados, comerciantes de rua, prestadores de serviços, taxistas e pequenos empreendedores fazem parte deste universo económico. Para muitas famílias, estas actividades representam a principal fonte de rendimento e, frequentemente, a única alternativa para garantir as despesas diárias.
No entanto, trabalhar neste sector significa também enfrentar dificuldades como o acesso limitado ao crédito, a ausência de protecção social e a instabilidade dos rendimentos.
O autor defende que as políticas públicas devem reconhecer esta realidade e criar mecanismos para integrar os operadores informais na economia formal, incluindo o seu registo nas contas nacionais.
O desafio de Angola não é apenas reconhecer a dimensão da economia informal, mas transformar o seu peso económico em melhores oportunidades, maior protecção e melhores condições de vida para milhões de famílias.





