O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) entrou no capital social do Bureau, a primeira Central Privada de Informação de Crédito licenciada no país, passando a integrar a estrutura accionista da empresa. A operação representa um reforço da participação institucional e financeira numa plataforma que pretende ampliar a recolha e análise de informações sobre o comportamento de pagamento de cidadãos e empresas, contribuindo para melhorar a avaliação do risco de crédito e promover a inclusão financeira em Angola.
A iniciativa pretende alargar a recolha e análise de informações sobre o comportamento financeiro de cidadãos e empresas, permitindo que as instituições tenham mais elementos para avaliar os pedidos de financiamento.
Mas como funciona na prática?
Imagina alguém que nunca pediu um empréstimo bancário, mas que paga regularmente as facturas de água, electricidade, telefone e outros serviços. Com a participação das empresas destes sectores, esses pagamentos poderão contribuir para construir um histórico financeiro, desde que sejam respeitadas as regras de consentimento e protecção de dados.
É aqui que surge uma diferença importante em relação à Central de Informação e Risco de Crédito (CIRC), gerida pelo Banco Nacional de Angola (BNA). Enquanto a CIRC concentra informação proveniente das instituições financeiras, as centrais privadas podem integrar dados de outras entidades, incluindo prestadores de serviços.
Além dos relatórios de crédito e da pontuação de risco, o Bureau prevê disponibilizar serviços de autoconsulta, estudos de mercado e monitorização de carteiras. Está igualmente prevista a promoção da literacia financeira, ajudando os cidadãos a compreender como o seu comportamento de pagamento pode influenciar o acesso ao financiamento.
A iniciativa poderá contribuir para a inclusão financeira, sobretudo entre pequenos comerciantes e trabalhadores independentes. Contudo, ter um histórico positivo não garante a aprovação de um empréstimo.
O verdadeiro desafio será transformar mais informação em oportunidades concretas, com transparência, protecção de dados e condições de crédito acessíveis para os angolanos.