Os fundos de pensões em Angola estão a crescer rapidamente. Em 2025, os seus activos chegaram a cerca de 1,25 biliões de kwanzas, mais do dobro dos 602,6 mil milhões registados em 2021.
À primeira vista, é uma boa notícia: significa que existe uma bolsa cada vez maior de poupança destinada a garantir rendimentos futuros aos beneficiários. Mas existe uma questão importante: onde está a ser investido este dinheiro?
Segundo a Expansão, 49,31% dos activos estão aplicados em Obrigações do Tesouro e outros 35% em depósitos a prazo. Na prática, cerca de 84% está concentrado entre o Estado e os bancos.
Para quem contribui para um fundo de pensões, isto significa que a segurança e a previsibilidade continuam a pesar mais do que investimentos de maior risco. Contudo, a concentração também mostra que ainda existem poucas alternativas no mercado angolano, como empresas cotadas, obrigações corporativas e fundos especializados.
O debate é, por isso, maior do que os fundos de pensões. É também sobre como transformar a poupança dos angolanos em financiamento para empresas, infra-estruturas e produção nacional, sem colocar em risco o dinheiro destinado às reformas.