Falar sobre dinheiro nem sempre é fácil. Quanto ganhamos, quanto gastamos, quem paga determinadas despesas, se devemos pedir um crédito, quanto conseguimos poupar, como vamos investir ou até mesmo como ajudar um familiar em apuros são assuntos que podem gerar tensão dentro de uma relação ou de uma família.
Mas evitar estas conversas também tem um custo: decisões importantes acabam por ser tomadas individualmente, surgem expectativas diferentes e pequenos problemas financeiros podem transformar-se em conflitos maiores.
Por isso, mais do que falar mais sobre dinheiro, é importante aprender a ter melhores conversas financeiras. Aqui estão três formas de começar:
1. Definam o que querem resolver antes de começar:
Uma conversa sobre dinheiro pode facilmente transformar-se numa discussão sobre tudo o que aconteceu nos últimos meses.
“Gastaste demais, nunca queres poupar, eu pago tudo nesta casa, não podemos continuar assim.” Enfim a maior parte de nós já viveu ou acompanhou este roteiro de conversa que não leva a lado nenhum. Quando a conversa começa desta forma, é fácil passar da questão financeira para acusações pessoais.
Em vez disso, comecem por definir o objectivo da conversa.
Querem decidir quanto vão poupar por mês? Organizar as despesas da casa? Definir como pagar uma dívida? Planear uma grande compra? Preparar as despesas escolares dos filhos? Preparar o plano financeiro para o próximo ano?
Ter um objectivo concreto ajuda a transformar uma conversa sobre problemas numa conversa sobre decisões.
Em vez de: “Precisamos falar sobre as nossas finanças.”
Experimentem: “Quero que hoje decidamos quanto conseguimos reservar todos os meses para a nossa reserva de emergência.” Quanto mais claro for o objectivo, mais fácil será chegar a uma decisão.
2. Façam perguntas antes de dar respostas:
Nem sempre duas pessoas olham para o dinheiro da mesma forma. Uma pode valorizar mais a segurança e a poupança. Outra pode considerar importante aproveitar o presente. Uma pode ter crescido numa família onde falar de dinheiro era normal. Outra pode ter aprendido que dinheiro é um assunto privado.
Por isso, antes de dizer ao outro o que deveria fazer, procure perceber por que ele pensa daquela forma.
Perguntas simples podem abrir conversas importantes:
- O que é mais importante para ti neste momento: poupar ou reduzir as dívidas?
- O que te preocupa mais quando pensamos nas nossas finanças?
- O que gostarias que conseguíssemos fazer com o nosso dinheiro nos próximos dois anos?
- Há alguma despesa da família que achas que precisamos de rever?
- Como te sentes em relação à forma como estamos a gerir o nosso dinheiro?
Fazer perguntas não significa concordar com tudo. Significa criar espaço para ouvir compreender antes de tomar uma decisão.
3. Separem o problema financeiro da pessoa:
Este talvez seja um dos pontos mais importantes. Uma dívida não significa que uma pessoa seja irresponsável. Uma despesa acima do previsto não significa necessariamente falta de disciplina. Uma dificuldade em poupar não deve transformar-se automaticamente numa crítica à personalidade de alguém.
Quando falamos de dinheiro em família, é importante discutir comportamentos, números e decisões, sem transformar cada dificuldade financeira num julgamento pessoal. O objectivo não é descobrir quem tem culpa. É perceber o que podemos fazer daqui para a frente.
Muitas decisões financeiras importantes começam muito antes de abrir uma conta bancária ou fazer um pagamento.
Começam numa conversa. Conversar sobre dinheiro com mais abertura pode ajudar o casal ou a família a transformar diferentes opiniões em decisões mais conscientes.
Experimentem hoje:
Escolha um tema financeiro que normalmente evita com o seu parceiro ou família.
Reserve 20 minutos, sem telemóveis e sem acusações.
Definam o que querem resolver, façam perguntas e procurem ouvir antes de responder.
Pode ser o início de uma conversa que estava há muito tempo por acontecer