A elevada informalidade no mercado de trabalho está a dificultar a expansão da poupança para a reforma em Angola, num momento em que os fundos de pensões ganham importância como instrumento de protecção social e de financiamento da economia.
O tema esteve em destaque no III Fórum de Fundos de Pensões, realizado esta sexta-feira, 2 de Outubro, em Luanda, por iniciativa da revista Economia & Mercado. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir formas de aumentar a poupança de longo prazo e adaptar os produtos financeiros à realidade dos trabalhadores.
Segundo Alexandre Carreira, PCE da Nossa Seguros, 78,6% dos trabalhadores em Angola estavam no sector informal no segundo trimestre, situação que limita o acesso de uma parcela significativa da população aos mecanismos formais de protecção social e de poupança.
Para responder a este desafio, os especialistas defendem soluções mais simples e acessíveis, capazes de chegar a trabalhadores por conta própria, profissionais liberais, pequenos empresários e trabalhadores de empresas sem fundos próprios.
Ainda no fórum, Esselina Macome, CEO da FSD Moçambique, destacou que os fundos de pensões podem transformar contribuições individuais em capital de longo prazo, ajudando a financiar empresas, infra-estruturas e o desenvolvimento dos mercados de capitais africanos.
Na África Subsaariana, avançou, apenas 22,3% das pessoas acima da idade de reforma recebem uma pensão, enquanto 9,7% da força de trabalho contribui para um regime de pensões. “A informalidade e os rendimentos variáveis exigem modelos diferentes dos tradicionais”.
“Os canais digitais podem reduzir barreiras de acesso e aproximar estes mecanismos de trabalhadores com rendimentos variáveis”,declarou.
De acordo ainda com a executiva moçambicana, a tecnologia precisa de ser acompanhada por confiança, transparência e educação financeira.
Para Angola, a questão passa, assim, por encontrar formas de transformar a poupança para a reforma numa ferramenta acessível a uma população com rendimentos, e formas de trabalho cada vez mais diversificados.