7 hábitos de quem se prepara para uma reforma tranquila em Angola

Kambas, a reforma é um tema que parece muito distante quando temos 30 ou 40 anos. Mas o dinheiro que vamos precisar a partir dos 60 anos começa a ser decidido e organizado muito antes.

Quando pensamos em reforma, é comum imaginar alguém que já está perto dos 60 anos, a tratar da documentação, a calcular a pensão ou a pensar no que fará depois de deixar de trabalhar. Mas uma reforma tranquila não começa no dia em que deixamos de trabalhar, começa muitos anos antes, nas pequenas decisões que tomamos enquanto ainda temos o salário a cair na conta todos os meses.

Antes de começarmos a listar os hábitos, há uma coisa importante que não podemos esquecer: não devemos confundir Segurança Social com um plano completo para a nossa reforma.

O sistema de Protecção Social Obrigatória é importante e está a passar por mudanças para reforçar a sua sustentabilidade e alargar a cobertura. Em 2025, por exemplo, a pensão mínima de reforma por velhice em Angola passou para 100 mil kwanzas e a máxima para 802.393,68 kwanzas. Além de estarmos atentos ao quanto iremos receber da segurança social, cada um de nós deve começar a fazer uma outra pergunta:

Se amanhã deixasses de trabalhar, durante quanto tempo conseguiria manter o meu actual padrão de vida?

É aqui que começa a verdadeira preparação para a reforma e estes 7 hábitos são fundamentais para uma reforma bem estruturada

1. Não esperam pela proximidade da reforma para começar a pensar nela:

Este talvez seja o maior erro e o que mais apontamos quando falamos sobre reforma. Muita gente pensa:

“Ainda sou jovem. Quando chegar a altura, vejo isso.”

O problema é que o tempo passa mais depressa do que parece, ontem tinhas 25 anos e hoje tens 40 e num piscar de olhos estarás a menos de 3 anos da reforma sem um plano bem estruturado.

Quem começa cedo não precisa necessariamente de poupar grandes quantias todos os meses. Tem uma vantagem que não pode ser comprada mais tarde: tempo. Por isso, não precisas de esperar pelos 55 anos para começar.

Se tens 30 anos, já podes começar, se tens 40, ainda vais a tempo, se já entraste para os 50, não é motivo para desistir, é motivo para começares a levar o assunto ainda mais a sério. A tua principal pergunta neste momento deve ser:

“Que tipo de vida quero ter quando já não tiver o meu salário total disponível?”

2. Sabem que o salário de hoje não é o rendimento da reforma:

Enquanto trabalhamos, temos uma fonte de rendimento relativamente previsível: salário, honorários, comissões, lucros do negócio ou uma combinação destes. Na reforma, isso pode mudar completamente e ser reduzido a menos da metade, são inúmeras as lamentações que acompanho sobre o baixo rendimento na reforma, seja pelas redes sociais, presencialmente, até mesmo internacionalmente, porque o tema afectanos a todos enquanto humanos.

É por isso que quem se prepara bem começa a construir outras fontes de segurança financeira enquanto ainda trabalha. Pode ser através de:

  • poupanças de longo prazo;
  • investimentos adequados ao seu perfil;
  • património imobiliário;
  • um negócio que possa continuar a gerar rendimento;
  • outros activos que façam sentido para a sua realidade.

Não significa que precisas de ter cinco fontes de rendimento significa que não deves chegar à reforma com apenas uma esperança: que o dinheiro da Segurança Social vai ser suficiente para tudo.

3. Vivem abaixo das suas possibilidades:

Este ponto parece simples, mas é provavelmente um dos mais difíceis, a medida que o rendimento aumenta, é muito fácil aumentar também o padrão de vida. Os americanos até têm um nome para isso “Lifestyle Creep ou Lifestyle Inflation”, traduzindo para português inflação do estilo de vida que é quanto mais ganhas, mais gastas. Não me percebam mal, é normal e até esperado melhorarmos a nossa qualidade de vida quando ganhamos melhor, mas precisamos ter atenção se estamos a deixar alguma folga no nosso orçamento, ou estamos sempre no limite.

Se ganhas mais e mudas logo para um carro mais caro, mudas de casa para uma renda mais cara ao teu novo nível, ganhas mais, aumentam as viagens, os restaurantes, as compras e as responsabilidades na família, de repente dás-te conta que estás a ganhar muito mais do que há cinco anos, mas continuas sem dinheiro para construir património.

Quem se prepara para a reforma aprende uma regra importante:

nem todo aumento de rendimento precisa transformar-se em aumento de despesas.

Quando o rendimento aumenta, uma parte pode e deve ir para melhorar a nossa qualidade de vida outra parte deve melhorar a qualidade do nosso futuro. Vive bem hoje e prepara o teu amanhã.

4. Criam uma reserva para os imprevistos:

Imagina que estejas a poupar para a reforma e tens um problema sério de saúde, perdes o emprego ou surge uma grande despesa familiar. Se não tens uma reserva financeira, podes ser obrigado a mexer no dinheiro que estava destinado a reforma, a tua vida deve ter camadas de protecção.

É por isso que a preparação para a reforma não começa apenas com investimentos, precisa de um primeiro passo que é a segurança financeira no presente. Ter uma reserva para emergências ajuda a evitar que cada imprevisto destrua os teus planos de longo prazo.

E isto é especialmente importante num contexto em que muitos de nós assumimos responsabilidades financeiras por pais, filhos, irmãos e outros familiares. O dinheiro da tua reforma não deve ser o teu fundo de emergência.

5. Não procuram enriquecer rapidamente:

Quem está a preparar a reforma tem uma vantagem muito importante, não precisa de ter todo o dinheiro preparado de uma vez e tentar ficar rico já amanhã. Precisa de construir a sua segurança aos poucos, ao longo dos anos. Por isso deve ser o primeiro a desconfiar de promessas de dinheiro fácil e rápido, do tipo:

“Investe hoje e duplica o teu dinheiro rapidamente.”

“Esta é a oportunidade que não podes perder.”

“Todo mundo está a ganhar dinheiro com isto.”

Quando o objectivo é a reforma, não faz sentido colocar em risco décadas de esforço por causa de uma oportunidade que apareceu nas redes sociais ontem. Investir exige estratégia, conhecimento, diversificação e, sobretudo, disciplina.

Agir com muita euforia e pouca razão podem se transformar numa combinação perigosa para quem está a construir o futuro financeiro.

6. Conversam sobre dinheiro com os seus parceiros (as):

A reforma não é apenas uma questão individual, para quem é casado ou vive maritalmente, é também uma questão familiar.

Olha para ti e para o teu parceiro, imagina que um de vocês quer continuar a trabalhar até aos 65 anos e a outro quer reformar-se aos 55, o marido quer viver numa casa grande, a mulher prefere reduzir as despesas, um quer viajar e outro quer ajudar financeiramente os filhos.

Se nunca conversarem sobre estes temas, podem chegar à reforma com expectativas completamente diferentes e desalinhadas, com uma bomba de conflito prestes a explodir nas vossas mãos. Por isso, dinheiro, reforma, património, filhos, responsabilidades familiares e estilo de vida devem fazer parte das vossas conversas como casal. Uma reforma tranquila também se constrói a dois.

7. Revêem o plano ao longo da vida:

A vida muda todos os dias, Podemos casar, separar, ter filhos, mudar de emprego, criar uma empresa, comprar uma casa, receber uma herança, assumir novas responsabilidades familiares ou passar por períodos com mais ou menos dinheiro disponível. Por isso, preparar a reforma não é fazer uma conta uma vez e esquecer.

É acompanhar.

Quanto já tenho?

Quanto consigo poupar?

Que dívidas ainda tenho?

Que património estou a construir?

Que rendimento poderei ter quando deixar de trabalhar?

O meu plano ainda faz sentido para a vida que quero ter?

Estas perguntas devem ser revistas regularmente, a reforma começa muito antes dos 60 anos, um plano feito aos 30 pode não ser o mesmo aos 40 e aos 50 anos. Não precisas de ter todas as respostas hoje, mas precisas de começar a fazer as perguntas certas. Por isso, talvez a pergunta mais importante para fazeres hoje seja:

“Estou a construir, hoje, a vida financeira que quero ter quando já não precisar de trabalhar?”

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