O ouro, tradicionalmente visto como um “porto seguro” em tempos de crise, está a viver um momento inesperado: caiu pela décima sessão consecutiva nos mercados internacionais.
A principal razão não é a guerra nem a instabilidade global, factores que normalmente fazem subir o ouro, mas sim o aumento da inflação e a expectativa de juros mais elevados.
Com os preços da energia a subir, cresce o receio de que a inflação continue alta. Isso leva bancos centrais, como a Reserva Federal dos EUA, a manter ou até aumentar as taxas de juro. E aqui está o ponto-chave: o ouro não paga juros.
Ou seja, quando existem alternativas que dão rendimento (como depósitos ou títulos), muitos investidores deixam de preferir o ouro. Além disso, o fortalecimento do dólar e a necessidade de liquidez nos mercados também têm pressionado o preço do metal.
Apesar da queda, analistas lembram que este comportamento já aconteceu noutras crises, primeiro cai, depois pode recuperar.
Para já, o sinal é claro: o mundo pode estar a entrar numa fase de juros altos e inflação persistente, algo que afecta directamente o bolso das famílias.