A indústria dos fundos de investimento em Angola registou um crescimento expressivo no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados divulgados pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), o valor sob gestão das sociedades gestoras aumentou 50%, alcançando cerca de 1,7 biliões de kwanzas.
Apesar do avanço, o mercado continua altamente concentrado no sector imobiliário. Mais de metade dos activos dos fundos está aplicada em edifícios, terrenos e outros activos ligados ao imobiliário. Outra parte relevante continua direccionada para títulos da dívida pública, considerados mais seguros pelos investidores.
Na prática, isto significa que o sistema financeiro angolano continua a privilegiar investimentos considerados menos arriscados, deixando sectores como agricultura, indústria, comércio e pequenas empresas com menos acesso a financiamento alternativo.
Especialistas defendem que Angola precisa diversificar os instrumentos disponíveis no mercado de capitais para transformar os fundos de investimento numa verdadeira alternativa ao crédito bancário tradicional. Enquanto isso não acontecer, o crescimento da indústria poderá continuar sem produzir efeitos significativos no emprego, no empreendedorismo e na economia do dia a dia das famílias.





