Durante muito tempo, havia uma regra simples: estudar, tirar um curso superior e garantir um bom emprego. Em Angola, essa ideia ainda é muito forte. Mas a realidade está a mudar e mais rápido do que muita gente imagina.
Hoje, ter um diploma já não é garantia de emprego, em muitos casos, nem sequer é garantia de rendimento.
Para quem está na busca pelo primeiro emprego, um curso superior pode levar vários anos e consumir recursos importantes propinas, transporte, alimentação sem qualquer retorno imediato. No final, muitos jovens entram para o mercado e encontram poucas oportunidades ou salários incompatíveis com o esforço na formação.
Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam outro desafio: falta de pessoas com competências práticas, em muitos casos o “saber fazer” tornou-se mais valioso do que apenas ter um certificado. Para tornar a questão mais desafiante, temos agora a Inteligência Artificial a transformar o mercado de trabalho.
Tarefas repetitivas, administrativas e previsíveis estão a ser automatizadas, isto significa que algumas profissões tradicionais estão a perder espaço. Mas, ao mesmo tempo, novas oportunidades estão a surgir.
Hoje, áreas como tecnologia, marketing digital, análise de dados, criação de conteúdos, eletricidade moderna, mecânica e serviços técnicos estão em crescimento. E muitas delas não exigem necessariamente uma licenciatura, mas sim capacidade de aprender, adaptar-se e resolver problemas, capacitação prática de curta duração, o aprender a fazer.
O mais importante já não é o caminho tradicional é a utilidade das tuas competências no mercado.
Por exemplo, alguém que saiba usar ferramentas digitais, trabalhar com tecnologia ou prestar um serviço técnico de qualidade pode começar a gerar rendimento muito antes de alguém que passa anos apenas a estudar teoria, agora se juntarmos a teoria a prática temos um profissional muito mais qualificado, com mais exposição ao mercado de trabalho real e competências do futuro.
Isto é especialmente relevante em Angola, onde o desemprego jovem continua elevado. Esperar apenas pelo “emprego certo” ou perfeito depois da universidade pode não ser a melhor estratégia. Em muitos casos, começar cedo, aprender uma habilidade prática e ganhar experiência pode ser mais eficaz.
Isso não significa que a universidade deixou de ter valor, para muitas profissões como medicina, direito ou engenharia, continua a ser essencial. Mas já não é o único caminho e, para muitos, pode nem ser o mais eficiente.
A grande mudança é esta: o mercado está a deixar de premiar diplomas e a começar a pagar competências técnicas e comportamentais..
E com a evolução da Inteligência Artificial, esta tendência só vai acelerar. No futuro, as pessoas mais valorizadas serão aquelas que conseguem aprender rapidamente, adaptar-se, trabalhar com tecnologia, não apenas aquelas que têm um curso.
Antes de tomares uma decisão sobre os teus próximos passos pensa de forma prática:
- Esta escolha vai ajudar-me a ganhar dinheiro?
- Esta profissão vai existir daqui a 10 anos?
- Estou a aprender algo que o mercado realmente precisa?
- Posso complementar a minha aprendizagem teórica com cursos práticos?
Porque no final, não é o diploma que paga as contas é a tua capacidade de gerar valor seja dentro de uma instituição ou dentro da tua própria vida.