O Burquina Faso inaugurou a sua primeira refinaria de ouro, numa estratégia para deixar de exportar grande parte do metal sem realizar internamente todas as etapas de processamento. A unidade terá capacidade inicial para refinar 164 toneladas por ano, podendo chegar a 515 toneladas numa segunda fase. O investimento foi estimado em 11 mil milhões de francos CFA.
A importância desta decisão vai além do ouro. O que está em causa é um problema comum a várias economias africanas: extrair recursos naturais, exportá-los e comprar depois produtos de maior valor produzidos noutros países.
Quando a transformação acontece localmente, uma parte maior do valor pode permanecer na economia. Surgem oportunidades para laboratórios, empresas de manutenção, transporte, certificação, engenharia, tecnologia e outras actividades. No caso da nova refinaria, as autoridades estimam cerca de 100 empregos directos e mais de 5.000 indirectos.
Para Angola, a lição é especialmente relevante. Petróleo, gás, diamantes e outros recursos podem gerar receitas, mas o desafio de longo prazo é avançar da extracção para o produto acabado ou intermédio.
Porque quanto mais etapas forem realizadas dentro do país, maior pode ser a capacidade de criar empresas, competências e empregos de melhor qualidade.